quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Desejável

Essa é a terceira obra da série Cosmovisão. É com a visão que começa o desejo. Não damos o devido crédito ao poder que tem a visão. Por vezes chamamos os olhos de janelas da alma, mas geralmente pensamos que olhando nos olhos de alguém podemos vislumbrar o íntimo daquela pessoa. Porém o contrário importa mais. Através dos nossos olhos, absorvemos o mundo, o que ocorre a nossa volta, absorvemos beleza, e passamos muitas vezes a desejá-la.
O mosaico aqui mostra o mundo, um fruto desejável. O problema do desejo é que nos leva a decisões parciais. Não absorvemos a totalidade, o contexto maior, como se nossos olhos só conseguissem se focar em um aspecto, e agimos precipitadamente. O mundo não é tudo.
É o que acontece no relato bíblico da queda. Quando o desejo pelo fruto parece obscurecer as consequências drásticas de se afastar daquele que fez o mundo. Tarde demais. Ou será? Mais tarde no relato bíblico, o povo sofre com picadas de cobra, e para serem curados, precisavam olhar para uma serpente pendurada. Com paciência, chega-se a parte do relato em que Jesus afirma para Nicodemos que ele é essa serpente. Tudo que você tem que fazer é olhar para ele. Simplesmente olhar. Deixar se absorver e desejar a coisa certa. Aquele que aparece no início, no meio e no final. E até pra além disso.

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